
Palavras do Tenente-Coronel Fernando Frederico (Tenente-Coronel, programador, extraordinário comunicado), partilhadas com o grupo que , com ele, organizou o evento e que, pela sua força, nos atrevemos a partilhar aqui:
Soube-me a pouco e soube-me bem.
A plateia aguentou, estoica e atentamente, 45 minutos de conversa inicial o que abona em favor do interesse que o tema desperta nas pessoas. Mau grado o embargo na voz ao falar das coisas simples que me encantam, eu estaria ainda a debitar matéria mais umas horas, sem me queixar ou sequer notar a passagem do tempo.
O entusiasmo manteve-se em alta na sala dos computadores, onde circulei sem pontos mortos por quase todos os scratchers, pequenos e grandes, empenhados que estavam em experimentar alguns comandos, em concretizar as ideias que lhes ocorreram e que nem sempre é possível descrever em breves palavras, e até em completar projectos “na hora”. Lembro-me de uma sessão de hip-hop, de um jogo de apanhada, do encontro de duas borboletas e do medo induzido por uns fantasmas.
Lembro-me do afã em aplicar algumas dicas que tive ocasião de lhes dar. Tão urgentes eram que ainda eu não completara a ideia e já o cursor debicava os comandos no “deck”. Lembro-me do desapontamento de duas scratchers a quem já fora difícil arranjar lugar mas que o encontraram, depois, ocupado, quando se ausentaram por momentos para ir ao bar. Se mais lugares houvesse mais se teria navegado neste oceano ainda pouco desbravado.
O tempo cumpriu o seu papel de apenas nos permitir “abrir o apetite” aos participantes. Penso que é nosso dever prolongar este momento pelo tempo fora, incentivando-os a desenvolverem e a partilharem os seus projectos e informando-os dos endereços onde podem achar apoio, como será o caso dos endereços de email dos scratchers mais experientes e da possível existência de fóruns onde se possam colocar dúvidas e obter ajuda. Sobretudo, seria óptimo que se pudessem realizar formações de professores, com direito a créditos, para iniciação ao Scratch, pela inevitável replicação desse conhecimento junto dos alunos.
Não houve tempo para demonstrar o que quer que fosse dos tais “projectos de bolso”nem o ambiente se proporcionava para distrair os olhares dos ecrãs que cada equipa tinha à sua frente. Foi quase febril e viciante. Uma das virtudes do Scratch é provocar este tipo de entusiasmada adesão que aqui vim encontrar, mais uma vez.
Depois, vim encontrar o átrio fervilhando do mesmo entusiasmo. Parecia que ninguém estava na disposição de se levantar das mesas. Por isso pedi que tornassem a ligar o ecrã grande do anfiteatro e deixei um jogo nas mãos de três jovens enquanto voltei ao átrio para tentar chamar as pessoas para ver o jogo e assistir ao programado encerramento; mas à volta do quadro interactivo já se tinha juntado um magote, de pé, firmes, a assistir a mais maravilhas do quadro e dos alunos.
Foram muito interessantes e gratificantes as conversas fugazes que tive com alguns pais e professores que comigo partilharam o seu interesse pelo assunto e, claro, a muito compreensível vaidade pelos seus filhos e seus alunos.
Foi muito oportuno e inestimável o apoio dado pelo Dr. Gonçalo Miguel, actualmente a fazer o mestrado em Ciências Cognitivas, que descarregou o Scratch e o instalou no computador do anfiteatro, preparando os projectos para a minha apresentação. Foi agradável assistir à simpatia com que o responsável pelo anfiteatro e o segurança do parque me receberam e despediram, não obstante terem ficado retidos para além da sua hora normal de saída. Foi também uma reconfortante experiência, esta minha, de ver como uma equipa empenhada pode realizar não importa o quê, em não importa quanto tempo, não importa onde. Parecendo que não é nada, são estas atitudes, estes eventos e estes Scratchers que ajudam a cauterizar feridas antigas, abertas noutros combates mal sucedidos contra moinhos imóveis e bem reais.
Os meus agradecimentos a todos
Fernando Frederico